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Essaouira – a linda cidade litorânea do Marrocos

Essaouira – a linda cidade litorânea do Marrocos

Paz. Depois de 4 noites e 5 dias em Marrakesh, Essaouira teve o puro significado de paz pra nós dois.

Não que a cidade vermelha – como Marrakesh também é chamada – seja ruim, mas nos hospedamos na Medina e chegou um momento em que era tudo demasiado: muito assédio pras compras, muita pechincha até pra pegar taxi, muito barulho, muita gente, muitas muitas MUITAS motocicletas, bicicletas, carroças. E não me levem a mal, o que acabo de citar não significa algo ruim, de uma maneira geral… Mas estava longe de ser o que desejávamos 5 dias depois.

Depois de duas horinhas de viagem, com direito a uma parada pra visitar a cooperativa de produção de óleo de Argan (já leram o post? cliquem aqui), chegamos a Essaouira (a pronúncia é Essauíra). Pra nossa felicidade MAIOR, o hotel que nos hospedamos era na porta de entrada da Medina, ou seja, sem muita andança, nem cobiça, nem perrengue, nem nada.

Pra falar a verdade, este hotel foi escolhido a dedo \o/ e foi muito bem escolhido, modéstia parte. Sabíamos que era necessário ter boa internet pra trabalhar, um tempo pra relaxar, refrescar as ideias e conforto – principalmente depois de toda a informação que tivemos/vivemos nos dias anteriores.

Bem posicionada na costa Atlântica, tivemos a impressão de que quanto mais perto do mar tu estás, menos assédio vais sofrer. Além de ser visitada pelos próprios marroquinos como turistas, Essaouira é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

 Essaouira e a muralha Essaouira e a muralha

As fortificações que ainda existem foram construídas pelo Sultão Mohammed III no século 18, alinhadas com canhões holandeses em conjunto com os barquinhos azuis. Conhecida como a “Wind City of Africa”, tudo por aí é relacionado ao turismo, a pesca e ao artesanato.

Durante os dois dias de PAZ

O significado de paz pode ser diferente pra diferentes pessoas. Até mesmo pra mim, a paz pode ser mutável e trocar de definição em diferentes períodos da minha vida – e quem sabe até em diferentes horas do mesmo dia? Pois durante estes dois tais dias da nossa vida, paz virou a brisa vinda do mar, o último andar do hotel e a piscina, o jardim interior onde podíamos tomar um chá de menta, as horas e horas andando de bicicleta pelo calçadão, o bilhar que jogamos (e eu ganhei de 3 x 1 hihi), a Harira saborosa que provamos, o vinho “cinza” que nunca tinha ouvido falar, as conversas intermináveis e amor.

 Dromedário no mesmo clima que eu: paz! Dromedário no mesmo clima que eu: paz!

O Hotel (e não é jabá!)

Decidimos ficar num Relais & Chateaux (hihi) que saiu por um ótimo custo-benefício. A princípio seria somente uma noite, mas nos encantamos tanto que decidimos ficar duas.

Como um Riad de luxo, o interior do Heure Bleue Palais era um abuso de lindeza. Fomos logo recebidos com doces marroquinos, sucos, água e chá. Confesso que me sentei ali naquele sofazinho e não queria levantar por nada. Ou quase nada, já que o quarto era uma graça.

Com um restaurante que superou nossas expectativas, um bar que nos remetia a golden age, uma sala de bilhar (só pra nós) e o último andar com piscina e lounge pra que a gente aproveitasse o sol, não existia vontade de sair dali. Talvez seja por isso mesmo que só saímos do hotel quase 24 horas depois.

 Nossa recepção :) Nossa recepção 🙂

O que fazer em Essaouira?

O mais comum pra quem visita Mogador (outro nome pra city), é pegar uma excursão de um dia saindo de Marrakesh (vai de manhã cedo, para na cooperativa de óleo de Argan e volta no final da tarde). Nós já tínhamos resolvido passar uma noite (que viraram duas) em Essaouira antes de partir pro sul, onde ficamos um mês, então não tivemos pressa nenhuma de perambular.

Quando conseguimos sair do hotel, alugamos duas bicicletas pra sair sem rumo e terminar no calçadão. Passeamos como típicos marroquinos pela medina, nos perdemos no meio de uma estrada, pedalamos por uma das partes mais pobres da região, andamos pelo calçadão pra finalizar e, depois de 5 horas, voltamos ao hotel. Suados e famintos.

Mas, o que os turistas “normais” fazem em Essaouira? Visitam os monumentos, o castelo, o famoso mercado de peixe, curtem a praia e exploram a medina. Nós o fizemos, mas num nível menos intenso, ainda bem.

Apesar de ter praia, não é um destino muito procurado pelo vento forte. Essaouira é perfeita pra quem quer ter uma experiência marroquina sem a zoeira de Marrakech.

Pra não dizer que o assédio é zero, o único momento em que realmente o sentimos, foi quando fomos ao mercado de peixe escolher o que comeríamos em seguida. Bom, visualizem: são diversas barraquinhas com frutos do mar ainda crus, onde escolhemos o que queremos e vamos esperar o prato pronto na mesa. Como são MUITAS barracas e eles querem vender, quase dá briga de tanto que eles se disputam. Enfim, faz parte, é cultural e ainda bem que no resto da medina ninguém enche muito.

Curiosidades (fonte: Lonely Planet)

Essaouira foi um reduto hippie nos anos 60/70 e recebeu umas visitinhas bem bacanas, como Jimi Hendrix, Maria Callas, Paul Simon, Frank Zappa e Rolling Stones.

A cidade está entre duas tribos: a árabe Chiadma mais ao norte e a Hahas berbere no sul. Adicionamos a isso a Gnawa, que veio mais do sul da África, e os europeus, tendo como resultado uma perfeita e rica mistura cultural.

Essaouira e a paz que o Marrocos nos deu

Essaouira e a paz que o Marrocos nos deu

Paz. Depois de 4 noites e 5 dias em Marrakesh, Essaouira teve o puro significado de paz pra nós dois.

Não que a cidade vermelha – como Marrakesh também é chamada – seja ruim, mas nos hospedamos na Medina e chegou um momento em que era tudo demasiado: muito assédio pras compras, muita pechincha até pra pegar taxi, muito barulho, muita gente, muitas muitas MUITAS motocicletas, bicicletas, carroças. E não me levem a mal, o que acabo de citar não significa algo ruim, de uma maneira geral… Mas estava longe de ser o que desejávamos 5 dias depois.

Depois de duas horinhas de viagem, com direito a uma parada pra visitar a cooperativa de produção de óleo de Argan (já leram o post? cliquem aqui), chegamos a Essaouira (a pronúncia é Essauíra). Pra nossa felicidade MAIOR, o hotel que nos hospedamos era na porta de entrada da Medina, ou seja, sem muita andança, nem cobiça, nem perrengue, nem nada.

Pra falar a verdade, este hotel foi escolhido a dedo \o/ e foi muito bem escolhido, modéstia parte. Sabíamos que era necessário ter boa internet pra trabalhar, um tempo pra relaxar, refrescar as ideias e conforto – principalmente depois de toda a informação que tivemos/vivemos nos dias anteriores.

Bem posicionada na costa Atlântica, tivemos a impressão de que quanto mais perto do mar tu estás, menos assédio vais sofrer. Além de ser visitada pelos próprios marroquinos como turistas, Essaouira é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Essaouira e a muralha

As fortificações que ainda existem foram construídas pelo Sultão Mohammed III no século 18, alinhadas com canhões holandeses em conjunto com os barquinhos azuis. Conhecida como a “Wind City of Africa”, tudo por aí é relacionado ao turismo, a pesca e ao artesanato.

Durante os dois dias de PAZ

O significado de paz pode ser diferente pra diferentes pessoas. Até mesmo pra mim, a paz pode ser mutável e trocar de definição em diferentes períodos da minha vida – e quem sabe até em diferentes horas do mesmo dia? Pois durante estes dois tais dias da nossa vida, paz virou a brisa vinda do mar, o último andar do hotel e a piscina, o jardim interior onde podíamos tomar um chá de menta, as horas e horas andando de bicicleta pelo calçadão, o bilhar que jogamos (e eu ganhei de 3 x 1 hihi), a Harira saborosa que provamos, o vinho “cinza” que nunca tinha ouvido falar, as conversas intermináveis e amor.

Dromedário no mesmo clima que eu: paz!

O Hotel (e não é jabá!)

Decidimos ficar num Relais & Chateaux (hihi) que saiu por um ótimo custo-benefício. A princípio seria somente uma noite, mas nos encantamos tanto que decidimos ficar duas.

Como um Riad de luxo, o interior do Heure Bleue Palais era um abuso de lindeza. Fomos logo recebidos com doces marroquinos, sucos, água e chá. Confesso que me sentei ali naquele sofazinho e não queria levantar por nada. Ou quase nada, já que o quarto era uma graça.

Com um restaurante que superou nossas expectativas, um bar que nos remetia a golden age, uma sala de bilhar (só pra nós) e o último andar com piscina e lounge pra que a gente aproveitasse o sol, não existia vontade de sair dali. Talvez seja por isso mesmo que só saímos do hotel quase 24 horas depois.

Nossa recepção 🙂

O que fazer em Essaouira?

O mais comum pra quem visita Mogador (outro nome pra city), é pegar uma excursão de um dia saindo de Marrakesh (vai de manhã cedo, para na cooperativa de óleo de Argan e volta no final da tarde). Nós já tínhamos resolvido passar uma noite (que viraram duas) em Essaouira antes de partir pro sul, onde ficamos um mês, então não tivemos pressa nenhuma de perambular.

Quando conseguimos sair do hotel, alugamos duas bicicletas pra sair sem rumo e terminar no calçadão. Passeamos como típicos marroquinos pela medina, nos perdemos no meio de uma estrada, pedalamos por uma das partes mais pobres da região, andamos pelo calçadão pra finalizar e, depois de 5 horas, voltamos ao hotel. Suados e famintos.

Mas, o que os turistas “normais” fazem em Essaouira? Visitam os monumentos, o castelo, o famoso mercado de peixe, curtem a praia e exploram a medina. Nós o fizemos, mas num nível menos intenso, ainda bem.

Apesar de ter praia, não é um destino muito procurado pelo vento forte. Essaouira é perfeita pra quem quer ter uma experiência marroquina sem a zoeira de Marrakech.

Pra não dizer que o assédio é zero, o único momento em que realmente o sentimos, foi quando fomos ao mercado de peixe escolher o que comeríamos em seguida. Bom, visualizem: são diversas barraquinhas com frutos do mar ainda crus, onde escolhemos o que queremos e vamos esperar o prato pronto na mesa. Como são MUITAS barracas e eles querem vender, quase dá briga de tanto que eles se disputam. Enfim, faz parte, é cultural e ainda bem que no resto da medina ninguém enche muito.

Curiosidades (fonte: Lonely Planet)

Essaouira foi um reduto hippie nos anos 60/70 e recebeu umas visitinhas bem bacanas, como Jimi Hendrix, Maria Callas, Paul Simon, Frank Zappa e Rolling Stones.

A cidade está entre duas tribos: a árabe Chiadma mais ao norte e a Hahas berbere no sul. Adicionamos a isso a Gnawa, que veio mais do sul da África, e os europeus, tendo como resultado uma perfeita e rica mistura cultural.

Alert: bad experience!

Alert: bad experience!

Um mês depois, tive uma tal experiência no Marrocos.

Depois de surfar no final da tarde, só colocamos o moletom e fomos comprar ovos e crédito pro telefone. Meu cabelo ainda estava encharcado e salgado do mar, olhinhos pequenos (ainda menores).

Compramos 50 Dirhams de crédito, o que equivale a mais ou menos 4 euros e nos dá direito a 4Go de internet. Bacana, né? Pois é. Se não fosse o nosso “amigo” da vendinha nos dar o plano errado hoje. FUEN.

Chegamos em casa e eu vi que meu 3G não funcionava e, antes que pensem que sou desesperada pela internet, eu trabalho com ela e preciso estar on line. Como aqui nessa relação dividimos as tarefas hahaha! Eu fui reclamar com o cara e o Duncan ficou descascando batata-doce pra cozinhar uma sopinha.

Foi a minha primeira experiência andando sozinha e de noite entre um monte de marroquino. E, ainda assim, foi numa cidade cheia de surfista e muito mais livre do que em outras mais muçulmanas. Se de dia eu e o Duncan achamos graça porque todo mundo nos chama até pra tomar chá de menta, não queiram saber como foi andar de noite, sozinha, pelas ruas desta microcidade que tenho vivido.

Não. Não foi a coisa mais legal do mundo. A minha cara de poucos-amigos deve ter ajudado a evitar um ou outro assédio, já que estava p da vida porque o “amigo” da vendinha tinha se equivocado. Mesmo assim, houve um momento que eu GELEI, como se diz em Belém. Por um instante, achei que tinha feito merda de não ter ficado pra cozinhar e pedido pro Duncan ir resolver o problema.

Onde eu quero chegar? O Marrocos é bacana demais, mas tem sérios problemas (que não vou enumerar, nem esperem). Mas… quando viajamos pra um outro país com cultura e religião completamente opostos ao que estamos acostumados, é preciso ter muita cautela. Eu tenho tido sempre e antes de chegar aqui, é óbvio que li BASTANTE sobre o país e sobre o que posso ou não fazer aqui.

Mesmo me comportando de acordo com seus costumes, hoje eu dei uma vacilada. Taghazout não parece tão conservadora. Taghazout é cheia de surfista andando com neoprene, havaianas, bermudas e camisetas (os surfistas e as surfistas). Me deixei levar pelo mês morando aqui e levei as coisas da minha maneira.

Não. Não aconteceu nada. Mas poderia… Me senti indefesa e assediada de uma maneira invasora.

Serve e vai servir de aviso e alerta pro meu comportamento em todos os países que ainda quero visitar. E repito: eu fui cautelosa em todos os momentos, respeitei todos e li tudo. Mesmo assim, vacilei.

E pra descontrair, um amigo me mandou haha