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Nenhuma Copa do Mundo teve tantas cidades-sede nem tanta itinerância como esta Copa de 2014 no Brasil. Na fase de grupos, nenhuma equipe joga duas vezes na mesma cidade; durante todo o torneio, uma seleção só se apresentará pela segunda vez numa mesma cidade se o acaso quiser (tudo vai depender da colocação na primeira fase).

Pela primeira vez na história das Copas não vai fazer sentido uma seleção escolher sua base levando em conta apenas a proximidade de uma cidade-sede. Nesta Copa, o clima e uma posição geográfica central têm peso maior na decisão.

Encontrei no blog da Jeanine Pires no portal Panrotas, o Contagem Regressiva, a lista das 32 bases escolhidas pelas seleções. A maioria absoluta dos países escolheu o Sudeste. Só o estado de São Paulo vai hospedar 15 seleções — quase a metade dos participantes. Quase todos fugiram do calor: a base mais ao norte é Maceió, escolhida por Gana.

Eu passei o Réveillon naquela que seguramente foi a escolha mais surpreendente de todas: Santo André da Bahia, um distrito de Santa Cruz Cabrália, 20 km ao norte de Porto Seguro, que vai hospedar a seleção (e a imprensa) da Alemanha. A decisão alemã debocha da baixa auto-estima brasileira, que acha o país incapaz de sediar uma Copa por falta de infra-estrutura. Pois a Alemanha, podendo escolher qualquer base certinha e organizada no Sudeste, no Centro-Oeste ou no Sul, elegeu uma praia com ruas de chão batido e absolutamente nenhuma infra. Os chalés que hospedarão a seleção ainda está sendo construído (pertencem a um condomínio de um alemão que será comercializado depois da Copa).  Certamente o que encantou a delegação alemã foi a rusticidade, o pé na areia e a dificuldade de acesso (é preciso pegar uma balsa para vir de Porto Seguro), o que deve limitar o assédio. A vila está em polvorosa e já foi montada uma comissão de moradores para negociar melhorias no abastecimento de água e luz e nas conexões de telefonia e internet. Quem puder documentar os próximos sete meses na cidade vai ter material para um filme brilhante (esperemos que com final mais feliz que O Banheiro do Papa).

Poucas bases escolhidas têm apelo turístico internacional, o que é uma pena. Por outro lado, as bases que são destinos turísticos, como Rio, Foz do Iguaçu e Porto Seguro, terão hotelaria e transportes pressionados pelo alojamento e vaivém da imprensa dos países que hospedarem.

Veja onde vão morar as 32 seleções durante a Copa de 2014 — em ordem geográfica, de norte a sul:

–> ALAGOAS

Maceió hospedar a seleção de Gana.

 

–> SERGIPE

Grécia escolheu Aracaju como base.

–> BAHIA

Croácia vai para o Tivoli Eco Resort da Praia do Forte.

Rio João de Tiba, Santo AndréA região de Porto Seguro vai receber a Suíça, no resort LaTorre, e a Alemanha, em Santo André da Bahia.

–> ESPÍRITO SANTO

Vitória ganhou duas seleções: Camarões (aguarde as piadas com moqueca) e Austrália.

–> MINAS GERAIS

Belo Horizonte vai ser a capital do Mercosul na Copa: Argentina Chile vão ficar na cidade, e o Uruguai na vizinha Sete Lagoas.

–> RIO DE JANEIRO

Brasil vai ficar na sua concentração de sempre, a Granja Comari em Teresópolis. AHolanda e a Inglaterra não quiseram nem saber e vão ficar no Rio de Janeiro mesmo. São duas seleções que podem durar o mês inteiro na competição. Imagina os preços…

Já a Itália vai arriscar pegar uma praia no inverno, ficando no resort Portobello em Mangaratiba, perto de Angra.

–> SÃO PAULO

Capital vai hospedar duas seleções politicamente rivais: os Estados Unidos e o Irã. Até aí, não há problema. O que eu não consigo entender é como podem os States ter decidido se hospedar no Tivoli Mofarrej, a uma quadra da Paulista. Alguém vai lá e conta pra eles que uma seleção americana na Paulista é um convite à manifestação permanente? Querem parar a cidade? Alô Haddad! Alô FIFA! Alô Tivoli! Pensem isso melhor, plis!

Duas seleções vão estar pertinho da capital: a Colômbia em Cotia; a Bélgica em Mogi das Cruzes.

Três seleções vão tomar o rumo do litoral: México Costa Rica vão para Santos; a Bósnia, para o Guarujá.

Quatro países que são bons emissores potenciais de turistas serão desperdiçados em cidades do interior sem apelo turístico internacional. A França vai para Ribeirão Preto;Portugal para Campinas; Japão Rússia para Itu.

Campinas também receberá a Nigéria; Costa do Marfim vai para Águas de Lindóia;Honduras, para Porto Feliz; a Argélia, para Sorocaba.

(Com exceção de Ribeirão, todas essas bases do interior estão na área de abrangência do aeroporto de Viracopos.)

–> PARANÁ

Coréia do Sul fazer base em Foz do Iguaçu foi um super gol para a cidade, que vai ser divulgada a um novo público que viaja bastante.

Já a atual campeã Espanha vai ficar concentrada e compenetrada em Curitiba.

–> RIO GRANDE DO SUL

Alguém me explica por que o Equador vai passar frio em Viamão, perto da minha Porto Alegre? (Seus jogos vão ser em Brasília, Curitiba e Rio…)

Por Ricardo Freire do Viaje na Viagem